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Page 28
Era Tien-Tzin separei-me d'aquelles santos camaradas. E d'ahi a duas
semanas, por um meio dia de sol tepido, passeava, fumando o meu charuto
e olhando a azafama dos caes d'Hong-Kong, no tombadilho do _Java_ que ia
levantar ferro para a Europa.
* * * * *
Foi um momento commovente para mim, aquelle em que vi, �s primeiras
voltas do helice, afastar-se a terra da China.
Desde que acord�ra, n'essa manh�, uma inquieta��o surda recome�ava a
pesar-me na alma. Agora, punha-me a pensar que viera �quelle vasto
imperio para acalmar pela expia��o um protesto temeroso da Consciencia:
e por fim, impellido por uma impaciencia nervosa, ahi partia, sem ter
feito mais que deshonrar os bigodes brancos d'um general heroico, e ter
recebido pedradas pela orelha n'uma villa dos confins da Mongolia.
Estranho destino, o meu!...
* * * * *
At� ao anoitecer estive encostado sombriamente � borda do paquete, vendo
o mar liso, como uma vasta pe�a de s�da azul, dobrar-se aos lados em
duas pregas molles: pouco a pouco grandes estrellas palpitaram na
concavidade negra; e o helice na sombra ia trabalhando em rhythmo.
Ent�o, tomado d'uma fadiga molle, fui errando pelo paquete, olhando,
aqui e al�m, a bussola alumiada; os mont�es de cabrestantes; as pe�as da
machina, n'uma claridade ardente, batendo em cadencia; as fagulhas que
fugiam do cano, n'um r�lo de fumara�a negra; os marinheiros de barba
ruiva, immoveis � roda do leme; e as f�rmas dos pilotos, sobre o pontal,
altas e vagas na noite. Na _cabine_ do capit�o, um inglez de capacete de
corti�a, cercado de damas que bebiam Cognac, ia tocando melancolicamente
na flauta a aria de _Bonnie Dundee_...
Eram onze horas quando desci ao meu beliche. As luzes j� estavam
apagadas: mas a lua que se erguia ao nivel da agua, redonda e branca,
batia o vidro da _cabine_ com um raio de claridade: e ent�o, a essa meia
tinta pallida, l� vi estirada sobre a maca a figura pan�uda, vestida de
s�da amarella, com o seu papagaio nos bra�os!
Era _elle_, outra vez!
E foi _elle_, perpetuamente! Foi elle em Singapura e em Ceyl�o. Foi elle
erguendo-se dos areaes do deserto ao passarmos no canal de Suez;
adiantando-se � pr�a d'um barco de provis�es quando par�mos em Malta;
resvalando sobre as rosadas montanhas da Sicilia; emergindo dos
nevoeiros que cercam o morro de Gibraltar! Quando desembarquei em
Lisboa, no caes das Columnas, a sua figura bojuda enchia todo o arco da
rua Augusta; o seu olho obliquo fixava-me--e os dois olhos pintados do
seu papagaio pareciam fixar-me tamb�m...
VIII
Ent�o, certo que n�o poderia j�mais aplacar Ti-Chin-F�, toda essa noite
no meu quarto ao Loreto, onde como outr'ora as velas innumeraveis das
serpentinas davam aos damascos tons de sangue fresco, meditei sacudir de
mim, como um adorno de peccado, esses milh�es sobrenaturaes. E assim me
libertaria talvez d'aquella pan�a e d'aquelle papagaio abominavel!
Abandonei o palacete ao Loreto, a existencia de Nababo. Fui, com uma
quinzena co�ada, realugar o meu quarto na casa da Madame Marques: e
voltei � Reparti��o, d'espinha�o curvo, a implorar os meus vinte mil
reis mensaes, e a minha d�ce penna de amanuense!...
Mas um soffrimento maior veio amargurar os meus dias. Julgando-me
arruinado,--todos aquelles, que a minha opulencia humilh�ra, cobriram-me
de offensas, como se alastra de lixo uma estatua derrubada de principe
decahido. Os jornaes, n'um triumpho de ironia, achincalharam a minha
miseria. A aristocracia, que balbuci�ra adula�es aos p�s do Nababo,
ordenava agora aos seus cocheiros que atropellassem nas ruas o corpo
encolhido do plumitivo de Secretar�a. O clero, que eu enriquecera,
accusava-me de _feiticeiro_; o povo atirou-me pedras; e a Madame
Marques, quando eu me queixava humildemente da dureza granitica dos
bifes,--plantava as duas m�os � cinta, e gritava:
--Ora o engui�o! Ent�o que quer voss� mais? Aguente! Olha o pelintra!...
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