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Page 29
E, apesar d'esta expia��o, o velho Ti-Chin-F� l� estava sempre � minha
ilharga, obeso e c�r d'�ca,--porque os seus milh�es, que jaziam agora
estereis e intactos nos Bancos, ainda de facto eram meus!
Desgra�adamente meus!
Ent�o, indignado, um dia subitamente reentrei com estrondo no meu
palacete e no meu luxo. N'essa noite, de novo o resplendor das minhas
janellas alumiou o Loreto: e pelo port�o aberto viram-se como outr'ora
negrejar, nas suas fardas de s�da negra, as longas filas de lacaios
decorativos.
Logo, Lisboa, sem hesitar, se rojou aos meus p�s. A Madame Marques
chamou-me, chorando, _filho do seu cora��o_. Os jornaes deram-me os
qualificativos que, de antiga tradi��o, pertencem � Divindade: fui o
_Omnipotente_, fui o _Omnisciente_! A aristocracia beijou-me os dedos
como a um Tyranno: e o clero incensou-me como a um idolo. E o meu
desprezo pela Humanidade foi t�o largo,--que se estendeu ao Deus que a
creou.
Desde ent�o uma saciedade enervante mantem-me semanas inteiras n'um
soph�, mudo e soturno, pensando na felicidade do _n�o-ser_...
Uma noite, recolhendo s� por uma rua deserta, vi diante de mim o
Personagem vestido de preto com o guarda-chuva debaixo do bra�o, o mesmo
que no meu quarto feliz da travessa da Concei��o me fizera, a um
_ti-li-tin_ de campainha, herdar tantos milh�es detestaveis. Corri para
elle, agarrei-me �s abas da sua sobrecasaca burgueza, bradei:
--Livra-me das minhas riquezas! Resuscita o Mandarim! Restitue-me a paz
da miseria!
Elle passou gravemente o seu guarda-chuva para debaixo do outro bra�o, e
respondeu com bondade:
--N�o p�de ser, meu prezado senhor, n�o p�de ser...
Eu atirei-me aos seus p�s n'uma supplica��o abjecta: mas s� vi diante de
mim, sob uma luz morti�a de gaz, a f�rma magra de um c�o farejando o
lixo.
Nunca mais encontrei este individuo.--E agora o mundo parece-me um
immenso mont�o de ruinas onde a minha alma solitaria, como um exilado
que erra por entre columnas tombadas, geme, sem descontinuar...
As fl�res dos meus aposentos murcham e ninguem as renova: toda a luz me
parece uma tocha: e quando as minhas amantes v�em, na brancura dos seus
penteadores, encostar-se ao meu leito, eu ch�ro--como se avistasse a
legi�o amortalhada das minhas alegrias defuntas...
* * * * *
Sinto-me morrer. Tenho o meu testamento feito. N'elle lego os meus
milh�es ao Demonio; pertencem-lhe; elle que os reclame e que os
reparta...
E a v�s, homens, lego-vos apenas, sem commentarios, estas palavras: �_S�
sabe bem o p�o que dia a dia ganham as nossas m�os: nunca mates o
Mandarim_!�
E todavia, ao expirar, consola-me prodigiosamente esta id�a: que do
Norte ao Sul e do Oeste a L�ste, desde a Grande Muralha da Tartaria at�
�s ondas do Mar Amarello, em todo o vasto Imperio da China, nenhum
Mandarim ficaria vivo, se tu, t�o facilmente como eu, o pudesses
supprimir e herdar-lhe os milh�es, oh leitor, creatura improvisada por
Deus, obra m� de m� argilla, meu semelhante e meu irm�o!
Angers, junho, 1880.
PORTO--TYP. DE A.J. DA SILVA TEIXEIRA
62, Cancella Velha, 62
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