Obras poéticas by Nicolau Tolentino


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Page 52

O conhecimento da Historia Portugueza, huma das li�es, que recre�o o
espirito de V. Excellencia, talvez concorra junto com o gosto, que tem
pelas Artes, a que, seguindo o exemplo de tantos Reis, se n�o despreze
de ouvir os Poetas: eu sou huma prova viva de que V. Excellencia os
ouve, e os protege: nos tempos da antiga Roma Augusto fazia o mesmo, nos
tempos da moderna, lemos, que Benedicto XIV. n�o se envergonhou de fazer
a apologia aos Versos de hum Poeta Francez com aquella mesma m�o, de que
pendi�o as Chaves do Ceo.

Esta justi�a, e bom acolhimento, que V. Excellencia faz � Poezia, foi
quem me esfor�ou a p�r nas respeitaveis m�os de V. Excellencia hum Livro
de Versos; o terem alguns agradado a V. Excellencia, faz o seu unico
merecimento: hum tal voto fez com que eu julgasse bem delles, e os
levantasse � grande honra de serem offerecidos a V. Excellencia. N�o me
acovard�o alguns assumptos joviaes, que nelles trato; V. Excellencia
sabe, que se a Tragedia castiga os costumes pelos grandes afectos da
compaix�o, e do terror, tambem a S�tyra os castiga pelo meio do rizo; e
este trabalho de minha penna, com que eu entretinha os meus can�ados
dias, passar� a ser o mais feliz, se tiver a fortuna de divertir alguns
instantes a V. Excellencia, para que com mais for�a torne depois a
metter m�o nos importantes Negocios, de que os Reis, prevenindo os
dezejos do P�blico, se dign�r�o encarregar a V. Excellencia: isto
dezeja, Senhor


DE V. Excellencia

O Criado mais humilde, e mais venerador.




_Ao mesmo Senhor no dia dos seus Annos_.


ILL.^MO E EXC.^MO SENHOR.


Os louvores nem sempre s�o filhos da lizonja, nem sempre s�o a linguagem
baixa, em que os infelices fazem o seu commercio com os Poderozos;
quando assent�o em merecimento s�lido, s�o huma paga devida �s Virtudes;
o Ceo as d�; os Reis devem-lhe os premios; os outros homens os louvores.

Hoje, Ill.^mo e Exc.^mo Senhor, nos apont�o os Fastos de Portugal o
feliz Nascimento de V. Excellencia; o costume consagra com Elogios estes
dias solemnes; a Patria recompensa assim os Annos, que a ella se der�o;
e se em hum dia destinado aos obsequios, eu fosse hum m�ro espectador,
hum assistente ociozo, o silencio, tantas vezes virtude, seria agora hum
crime, seria huma prova da minha ingratid�o.

A for�a do agradecimento, e a abundancia, da materia me pori�o na boca
huma torrente de louvores; mas V. Excellencia p�e tanto cuidado em
merecellos, como em n�o querer ouvillos; temo a sua modestia; e huma
virtude de V. Excellencia me n�o deixa fallar-lhe nas outras; por�m ao
menos seja-me permittido, que a minha alma se encha de complacencia,
lembrando-se de que tres Reis elogi�r�o a V. Excellencia, chamando-o a
grandes coizas; n�o quizer�o que estes talentos jazessem debaixo da
terra; sobre ella, e sobre os mares os fizer�o luzir.

Na flor dos annos, quando as paix�es, os exemplos, a natureza abrem
guerra viva ao cora��o do homem, ent�o vio a severa Magestade do Senhor
Rei D. Jo�o o V, que V. Excellencia t�o mo�o nos annos, era j� anci�o
no conselho, e nos costumes, queria o seu voto nos Tribunaes, e o seu
bra�o nas Armadas, negros ventos, mares cavados, ferro, sangue, er�o os
leitos brandos, em que V. Excellencia hia descan�ar das honrozas fadigas
da terra.

Que direi do Augusto, Piedozo, e ainda de fresco banhado das nossas
lagrimas, o Senhor Rei D. Joz� o I.? O merecimento, junto com a
semelhan�a dos genios, e de idades, puzer�o sempre a V. Excellencia ao
lado daquelle Monarca; mandou-lhe que acceitasse novos, e importantes
Empregos; recebeo mil provas do seu poder, e da sua familiaridade, e
entre ellas aquella, que V. Excellencia n�o disse, mas que todos sabem;
aquella de que V. Excellencia nunca poder� lembrar-se sem d�r, e sem
gloria.

Os Benignos, e Amaveis Soberanos, que vemos sobre o Throno, puzer�o o
S�llo na Obra, que seus Augustos Predecessores tinh�o come�ado;
encarreg�r�o a V. Excellencia dos mais importantes Negocios do Estado: a
madureza nos conselhos, o sev�ro espirito de inteireza, os Reis, a Lei,
a utilidade p�blica, s�o os objectos, que v�r�o sempre na frente dos
cuidados de V. Excellencia.

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Books | Photos | Paul Mutton | Sat 17th Jan 2026, 5:24