Obras poéticas by Nicolau Tolentino


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Page 50

CARTA.


Senhora, Apollo bem sabe
Que sois digna companhia
De quem em doirados annos
Lhe honrava a doce Poezia;

Inda de vi�ozo loiro
Lhe guarda a verde coroa;
Fez-lhe falta em sua Corte,
Mas a bem de outra o perdoa;

Manda, pois lhe estais ao lado,
Canteis polidos louvores
A quem em honra ao Parnazo
Fez versos, e faz favores;

Vio o prazer generozo
Com que acabou a ten��o,
Que crua Parca arranc�ra
De outra bemfeitora M�o;[34]

[Nota de rodap� 34: O Illustrissimo, e Excellentissimo Senhor Marquez de
Ponte de Lima, Ministro de Estado, tinha obtido a merc� de se imprimirem
estes Versos a beneficio do A. cujo Avizo n�o chegou a assignar por seu
repentino falecimento.]

Vio, que apressou seus negocios
Perante quem todos rege;
E que amigo do seu Monte,
Ora o s�be, ora o protege;

Grato ao grande beneficio
Vos envia o estilo, e a lyra;
Manda-vos cantar-lhe os hymnos,
Que lhe traja, e vos inspira;

Diz que esta empreza vos toca,
E que n�o admitte escuzas;
Que favor feito ao Parnazo
H�o de agradecello as Muzas;

Pulsai a lyra, enfreai
Bravos ventos rugidores;
Cantai agradecimentos
A quem cantastes amores;

Em m� honra a longas cans
Desta empreza escuzo fico;
Fechou-me Apollo a sua Arte,
E quer que aprenda a de rico;

Dura, enganoza sciencia!
Inc�mmoda, tumultuaria!
Muito mais a quem andou
Sempre na esc�la contraria;

J� em socegado somno
N�o vejo doces fic�es;
Inda a obra est� na Imprensa
E j� sonho com ladr�es;

Sonho, que escalada a porta,
Medonhas caras sem d�,
Vem furtar a Tolentino
O que elle furta a _Boileau_;

Co'esse metal turbulento
J� d'antem�o me malquisto;
Que me n�o far� a posse,
Se a esperan�a j� faz isto?

Sei quem poz a ultima for�a
Ao punhal, de que me d�o;
Mas, em fim, nada de raivas,
Dizei-lhe que eu lhe perd�o;

E que he tal nesta virtude
Meu conforme cora��o,
Que n�o s� perdoo o mal,
Mas beijo por elle a M�o.

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Books | Photos | Paul Mutton | Sat 17th Jan 2026, 1:39