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Page 36
[Nota de rodap� 22: Por cauza dos toucados altos.]
Minha obra desprezada
Senhor, n�o fazemos nada,
Tomar v�os trabalhos oizas,
Tem todas as minhas co�zas
O destino da almofada.
_No dia dos annos da Illustrissimo, e Excellentissimo Senhor Conde de
Villa Verde, hoje Marquez de Angeja, em cuja caza o Author jantou_.
Senhor, talvez neste dia
J� cantei Versos polidos;
Por�m em tectos cahidos
N�o mora o Deos da Poezia.
Voou; e da testa fria
Me tirou o verde loiro,
E das m�os a Lyra de oiro;
Tudo em fim se foi co'a br�ca;
Mas se a Aganippe se s�ca,
N�o se ha de secar o Doiro.
Embora no velho caco
Murche o cansado mi�lo;
Se os loiros lhe tira Apollo,
Com parras o adorna Baccho;
P�e mira meu peito fraco
Nos vossos puros almudes;
E em honra de mil virtudes,
De mil talentos diversos,
Em vez de fazer dois Versos,
Farei duas mil sa�des.
_Sahindo por sortes Compadre de huma Senhora da primeira Grandeza_.
Devo pouco � Natureza,
E muito a hum brinco innocente;
Porque elle me faz parente
Da mais distinta Nobreza.
Embora esquiva riqueza
Pretas fortes me n�o mande;
Qne importa que ha annos ande
Sempre a perder nas menores,
Se nas dos premios maiores
Me sahio o premio grande.
_Fazendo annos o Illustrissimo, e Excelentissimo Senhor Marquez de
Angeja, Tenente General, na occazi�o em que sah�ra Provedor da
Mizericordia_.
Que fazem Versos cansados,
Applaudindo os vossos Annos,
Se dos nossos Soberanos
S�o melhor elogiados?
Se os trazem sempre empregados
Em servir a Monarquia,
Se a Real Secretaria
Escreve em vosso favor,
Taes prozas louv�o melhor,
Do que a melhor Poezia.
Da vossa dexteridade
Fi�o coizas encontradas;
D�o-vos as duas estradas,
A do Sangue, e da Piedade.
Vivei pois comprida idade
Sempre entre Povos amigos;
Mas se crescerem perigos,
Crescer� as ac�es nobres;
E a m�o que defende os Pobres,
Cortar� os Inimigos.
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