Obras poéticas by Nicolau Tolentino


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Page 1




Quando a fria sepultura
Com as lagrimas lhe honrastes;

Se os seus Versos sonorozos

E pensamentos saudozos
Vos trazem aos olhos agua,
Que os deixa, Senhor, formozos;


Nascer iguaes sentimentos;




Nascido em baixa pobreza,
Quiz buscar huma Colu'na,
Foi sempre baldada a empreza,
Achou ingrata a fortuna,
Inda mais, que a natureza.



Foi trabalho sem ventura;
Crescia no Filho triste,
Com a idade, a desventura;

Das boas Artes no estudo
Bom Pai empenhar-me quiz;

Que fosse hum Filho feliz
Dos outros Filhos o escudo;




Para vencer a fortuna




Quando envolto em cinzas frias
Escondesse a sepultura
Meu nome, e meus tristes dias;

E em quanto o vento forceja,
E no mar, que em flor rebenta,
Meu fraco lenho veleja,
Demando, em tanta tormenta,
Por porto a Casa de Angeja;

Surgi em lugar seguro,
Onde achei mil acolhidos;
Clareou o dia escuro;
E meus molhados vestidos
Pelas paredes penduro;


Foi hum pouco enfraquecendo;
E ainda que em sombra escura,
Vem-me ao longe apparecendo
O bom rosto da Ventura;


(Porque de meus males sabem)

Mandai-lhe que em mim acabem


Mandai, que apressem o passo,





Mandai, pois tendes direito,
Que o turvo mar arrostando,

Fallai, Senhor, que em fallando,
O vosso mandado he feito.

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Books | Photos | Paul Mutton | Sun 15th Sep 2019, 16:38