Obras poéticas by Nicolau Tolentino


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Page 33

Aliza assim, caro Amigo,
Meu velho, engelhado coiro;
Manda �s Parcas, que o meu fio,
J� que he curto, seja de oiro.

D� brando ouvido a meus rogos;
Teu bom peito em bem os tome;
N�o te falla vil lizonja,
Falla-te a Amizade, e a fome:

E tu, dia tormentozo,
Que abalas velhas trapeiras,
Que o telhado me arripias,
Que me ensopas as esteiras;

Que em meus reumaticos ossos
Assentas pezado a�oite;
E sobre medonhas nuvens,
Me mandas de tarde a noite;

Ser�s o dia mais alvo,
Que em meus largos annos levo,
Se for acceita esta Carta,
Que � tua m� luz escrevo;

Chamarei Z�firos brandos
A teus roucos ventos frios,
Se hoje rezolve o Bandeira
Dar de comer a v�dios.




CARTA


_A hum Camarista_.


N'uma infeliz madrugada,
Antes que o Sol esclare�a,
Mettido em pobre cale�a,
Puz peito, Senhor, � estrada:
Sahi em hora mingoada,
Pois negra trai��o me espera;
Homens, com genios de f�ra,
Me atac�r�o sem motivo;
Por milagre fiquei vivo,
E devo pezar-me a c�ra.

Vi revoltozos Carreiros
Com duro aguilh�o armados;
Vi nuvens de p�os al�ados
Pelos cumes dos oiteiros:
Rold�o, e o bravo Oliveiros,
Que alta pena Her�es declara,
Talvez voltassem a cara,
Que a tantos tremer fazia,
Se nos campos da Turquia
Vissem Carreiros da Enxara.

Vi os Campos inundados
De gentes vagas, e incertas;
Vi as estradas cobertas
De cacheiras, e cajados:
N�o valem rogos, nem brados,
N�o valem ligeiras pernas;
A raiva, e o Deos das Tavernas
Accend�o tanto os Campinos,
Que cuidei que os meus Meninos
Teri�o f�rias eternas.[18]

[Nota de rodap� 18: O A. era Professor de Rhetorica, e pertendia passar
para outro emprego.]

Em quanto no duro ch�o
Meu Companheiro arquejava,
Eu muito humilde esperava
Tambem a minha ra��o;
Bem me lembrou que esta ac��o
Deslustrava a minha gloria;
Mas n�o pertende vitoria,
Nem sabe mover espada
M�o, ha annos, costumada
A dar s� com palmatoria.

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Books | Photos | Paul Mutton | Thu 15th Jan 2026, 9:14